24 de mar de 2012

TEMPO






Tempo
Todas as criaturas gozam o tempo,
mas raras vezes aproveitam-no.
Corre a oportunidade espalhando bênçãos.
Arrasta-se o homem estragando dádivas
recebidas. Cada dia é um país de vinte e
quatro províncias. Cada hora é uma província
de sessenta unidades.
O homem, contudo, é o semeador que não
despertou ainda. Distraído cultivador,
pergunta: “que farei?! E o tempo silencioso
responde com ensejos benditos:
De servir, ganhando autoridade;
de obedecer, conquistando o mundo;
de lutar escalando os céus.
O homem, todavia, voluntariamente cego,
roga sempre mais tempo
para zombar da vida, porque se obedece,
revolta-se, orgulhoso; se sofre, injuria e
blasfema; se chamando as contas,
lavra reclamações descabidas.
Cientistas fogem da verdadeira ciência.

Filósofos ausentam-se dos próprios ensinos.
Religiosos negam a religião.
Administradores retiram-se da
responsabilidade.

Médicos subtraem-se à Medicina.
Literatos furtam-se à divina verdade.
Estadistas centralizam a dominação.

Servidores do povo buscam interesses
privados.
 Lavradores abandonam a terra.
Trabalhadores escapam do serviço.
Gozadores temporários entronizam ilusões.

Ao invés de suar no trabalho,
apanham borboletas da fantasia.
Desfrutam a existência, assassinando-a
em si próprios.
Possuem os bens da Terra acabando
possuídos. Reclamam liberdade,
submetendo-se à escravidão.
Mas chega um dia, porque há sempre
um dia mais claro
que os outros, em que a morte surge
reclamando trapos velhos...
O tempo recolhe, então, apressado, as
oportunidades que pareciam sem fim...
E o homem reconhece, tardiamente
preocupado, que a Eternidade infinita
pede conta do minuto
_André Luiz_

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